Pânico. Medo. Falta de ar. Sensação de morte. Foi isso que eu senti quando me perdi. Quando tudo que sentia era a falta de mim e o excesso dos outros. Essa dor que faz parte de mim e eu jamais entendi o porquê, antes de quase me perder, é claro. E agora, tenho lutado constantemente para me encontrar. Esquecer que as pessoas, por mais confusas ou perdidas, podem cuidar de si mesmas. Estou tendo que aprender a me priorizar, porque jamais fiz isso. E entender que por mais empática que eu seja, por mais que eu tenha usado o meu tempo para ajudar os outros, não devo esperar que façam o mesmo por mim. Até porque não fiz esperando nada em troca. E sim porque essa já é uma característica da minha personalidade: enxergar nas pessoas o que elas fingem não ver, me preocupando demais em tirá-las do precipício e quando me dei conta, era eu quem estava no fundo do buraco. Talvez esse tenha sido o momento que me perdi. Apavorado. Totalmente lúcido desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo. Mas não era. Era o escuro. Um dos lugares mais sombrios que já tive o desprazer de visitar. Lá, o vento corta. O frio machuca. A solidão aperta. Você grita. Só existe uma única voz presente nessa escuridão: O eco. E você a escuta lentamente vindo lá do fundo. São os resquícios da sua própria corda vocal. Nesse exato instante, você descobre que está sozinho. Não há ninguém para retribuir tantas ações boas que um dia você já fez. Você começa a questionar a existência da divindade e ao mesmo tempo vários questionamentos inundam a sua mente: Porque eu? Porque comigo? O que eu fiz para merecer isso?. Silêncio total. Ninguém vai te responder. Porque a resposta que você procura, só aparece depois de enfrentar tudo isso, e ela é única e absoluta: Você esqueceu de se amar. Viveu pelos outros e anulou sua existência: Esqueceu de viver por você. Esse foi o choque final. Foi ali, sozinho, abandonado, no frio, no escuro, com pensamentos mórbidos, que tomei a maior atitude da minha vida: Olhei pra cima. O fundo não parecia mais tão fundo. O clarão da luz tomou conta do escuro. A visão foi se tornando nítida novamente. Tudo estava mais transparente. Eu enxergava de novo. Eu havia me encontrado. Um filme começou a rodar na minha cabeça em ordem cronológica: Da minha queda ao meu renascimento. Dei pause. Refleti sobre ele e um desejo me consumiu por dentro. Era a minha hora de viver. Play.
Pedro Pinheiro e Milena Borges.
Pânico. Medo. Falta de ar. Sensação de morte. Foi isso que eu senti quando me perdi. Quando tudo que sentia era a falta de mim e o excesso dos outros. Essa dor que faz parte de mim e eu jamais entendi o porquê, antes de quase me perder, é claro. E agora, tenho lutado constantemente para me encontrar. Esquecer que as pessoas, por mais confusas ou perdidas, podem cuidar de si mesmas. Estou tendo que aprender a me priorizar, porque jamais fiz isso. E entender que por mais empática que eu seja, por mais que eu tenha usado o meu tempo para ajudar os outros, não devo esperar que façam o mesmo por mim. Até porque não fiz esperando nada em troca. E sim porque essa já é uma característica da minha personalidade: enxergar nas pessoas o que elas fingem não ver, me preocupando demais em tirá-las do precipício e quando me dei conta, era eu quem estava no fundo do buraco. Talvez esse tenha sido o momento que me perdi. Apavorado. Totalmente lúcido desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo. Mas não era. Era o escuro. Um dos lugares mais sombrios que já tive o desprazer de visitar. Lá, o vento corta. O frio machuca. A solidão aperta. Você grita. Só existe uma única voz presente nessa escuridão: O eco. E você a escuta lentamente vindo lá do fundo. São os resquícios da sua própria corda vocal. Nesse exato instante, você descobre que está sozinho. Não há ninguém para retribuir tantas ações boas que um dia você já fez. Você começa a questionar a existência da divindade e ao mesmo tempo vários questionamentos inundam a sua mente: Porque eu? Porque comigo? O que eu fiz para merecer isso?. Silêncio total. Ninguém vai te responder. Porque a resposta que você procura, só aparece depois de enfrentar tudo isso, e ela é única e absoluta: Você esqueceu de se amar. Viveu pelos outros e anulou sua existência: Esqueceu de viver por você. Esse foi o choque final. Foi ali, sozinho, abandonado, no frio, no escuro, com pensamentos mórbidos, que tomei a maior atitude da minha vida: Olhei pra cima. O fundo não parecia mais tão fundo. O clarão da luz tomou conta do escuro. A visão foi se tornando nítida novamente. Tudo estava mais transparente. Eu enxergava de novo. Eu havia me encontrado. Um filme começou a rodar na minha cabeça em ordem cronológica: Da minha queda ao meu renascimento. Dei pause. Refleti sobre ele e um desejo me consumiu por dentro. Era a minha hora de viver. Play.
Pedro Pinheiro e Milena Borges.
“Eu prefiro que você minta para mim e me olhe tristemente nos olhos. Me diga que eu sou quem você precisa… Eu não quero começar de novo, isso era meu tudo e você era minha última chance. Cadê o conto de fadas que nos venderam? Você realmente acredita que é o único com segredos agora? Veja, você é como eu, mas um de nós é feliz e o outro sangra. Simplesmente minta para mim.”— Lie to me.
“Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: “você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você”— Padre Fábio de Melo.
“Você é uma pessoa forte, embora as vezes possa duvidar. Você está destinado a lutar. Quando você está doente, seu corpo luta pelo direito de funcionar. Quando você prende a respiração, seu corpo luta pelo direito de respirar. Se até mesmo as menores células do seu corpo não desistem de lutar. Por que você desistiria?”— Fernanda Marques
“Quero textos que abram meu apetite. Que me façam tirar o traseiro sedentário da poltrona e correr para jogar meu café no ralo, lavar as panelas sujas de óleo e cheirando a tédio e arrogância. Dar um ar novo a minha casa física e mental. Quero textos ácidos, dogmáticos, teóricos e pouco práticos. Quero textos que me façam correr os olhos pela página como um atleta treinado em uma pista perfeita. Quero um menu, cardápio de autores que façam as entradas, a sobremesa e o bocejo poderem ser visivelmente adjetivados como interessantes. Quero textos tratáveis e não só tragáveis. Pois não uso cigarros. Tenho pavor de nicotina. Pior, tenho repulsa de escritores ordinários que cheiram, geralmente, a nicotina ou outras drogas destiladas. Quero textos que façam bem. Mundanos, insanos, comportados. Na trilha caminham os poetas. Os verdadeiros se escondem sob sombra da árvore, na colina mediana, mais ou menos onde o céu e o vento fazem da curva um poema.”— A.E.C Souza.
“Ana, você se ilude. Você se chama de livre, mas se prende a si própria. Você odeia etiquetas, mas põe uma em cada parte de si mesma. Ana, você diz que canta, dança, atua e escreve. Mas você só cai. Cai no abismo que és. Você se atira do penhasco achando que vai voar, mas você só se machuca. Você rasga teu peito pra qualquer um que quiser assistir o espetáculo. Você se entrega para espinhos e mata as rosas. Ana, você se limita em ser azul, porque não quer ser céu. Você menospreza a realidade que você própria construiu. Você se aprisiona em uma ilha e foge de toda e qualquer oportunidade que te salve dali. Você só finge, só diz, mas nunca sente. Ana, você é uma medrosa incurável que se faz de forte.”— Ana Esttopins
“O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.”— Trecho retirado da poesia “Os três Mal-Amados”, de João Cabral de Melo Neto.












